Feche os olhos. Pegue dezenas de botões de diversos tamanhos e texturas, uma tela, um pote de cola e tente fazer um quadro. Mas faça com redução de mobilidade nas mãos. E agora imagine que terá a mesma dificuldade para pegar um copo, um talher o controle da TV.

A produção deste quadro é um dos desafios vividos diariamente por alunos da APAE de Marília e exposição da obra com outras pinturas e montagens que resultam em terapia e conquistas para o dia a dia, foi um dos momentos especiais apresentados pela instituição durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla na cidade.

Outras demonstrações de conquistas, que revelam também algumas das necessidades cotidianas da instituição e de seus alunos ganharam as ruas e cumpriram a importante meta de buscar maior reconhecimento público e inclusão social para os mais de 400 atendidos pela APAE de Marília todos os meses.

A semana envolveu debates, palestras, qualificação e aperfeiçoamento de profissionais, interação pública e convivência entre os alunos que serão momentos especiais para toda a vida, além de abrirem as portas da instituição para a comunidade.

A abertura oficial da semana começou com palestra da Drª Anna Augusta Sampaio de Oliveira sobre o tema “Pessoas com deficiência: direitos, necessidades e realizações”, que reuniu profissionais da educação e representantes das áreas da Saúde, Educação, Assistência Social e autoridades para discutir o atendimento aos alunos especiais.

No dia 23, a exposição de quadros produzidos em atividades pedagógicas mostrou como a arte é terapia e caminho para aprender e enfrentar problemas do cotidiano. A mostra, na biblioteca da cidade, levou os projetos para quase 15 dias de exposição.

Ainda no dia 23, foi realizada nas dependências da instituição uma Roda de Conversa e apresentação do trabalho da Defensoria Pública com o tema: “Atuação da Defensoria Pública na efetivação dos Direitos Sociais”, com Dr. Lucas Pampana Basoli, Defensor Público Coordenador-Auxiliar da Unidade de Marília da Defensoria Pública e da Assistente Social  Paula Fernandes Pirinete, Agente de Defensoria.

O Grupo de Dança dos Alunos da APAE se apresentou na EMEI “Chapeuzinho Vermelho”.

E a caminhada pelo centro comercial deu visibilidade à entidade, divulgou informações e chamou a população a conhecer e abraçar os projetos da APAE. O evento contou com a participação da APAE de Júlio Mesquita.

Outro importante evento foi a Olimpíadas Interna, onde os alunos puderam mostrar todo o seu potencial nas modalidades de Vôlei,Basquete e Futebol adaptados. A abertura das Olímpiadas contou com a participação dos paratletas Daniel Tavares Martins – Campeão Mundial de Atletismo Paraolímpico em Londres e Campeão Paraolímpico dos 400 metros rasos nos Jogos Paraolímpicos Rio-2016 e Gustavo Dias medalhista de Prata no salto em distância para deficientes intelectuais do Mundial Juvenil de Atletismo Paraolímpico na Suíça.

Responsável por quase 40 casos de inclusão profissional, além dos alunos encaminhados para a rede regular de ensino, a APAE de Marília transformou a semana em um momento para mostrar e discutir serviços nas áreas de saúde, educação e assistência social.

“É um grande erro pensar que estes momentos discutem dar aos alunos reconhecimento a direitos humanos. Eles já têm estes direitos desde que nasceram protegidos pelas leis e pela Constituição. O que pretendemos é dar à sociedade informações sobre o potencial e necessidades especiais que estes cidadãos brasileiros têm, mostrar as conquistas que eles acumulam todos os dias com vitórias contra suas eventuais limitações pessoais, contra o preconceito e a falta de políticas públicas que protejam seus direitos”, explica o presidente da APAE de Marília, Marcos Antonio Carchedi.

A exposição das obras de arte, competições esportivas, uma caminhada pelas principais ruas da cidade foram alguns exemplos do trabalho diário e das lutas vencidas.

Cada obra de arte apresentada em uma exposição na biblioteca da cidade guarda uma história de dedicação e envolvimento e refletem lições de vida, conquistas que emocionam e que nos mostram sempre: todos os alunos podem fazer mais com as condições, suportes e adaptações necessárias.

Em cada trabalho e momento exposto, a APAE de Marília colocou nas ruas a dedicação dos profissionais que são responsáveis pelo atendimento e buscou valorizar esta dedicação com mais informações, mais qualificação e reconhecimento público.

“A Semana Nacional mostrou em poucos dias o que a APAE de Marília faz há quase 50 anos. E deixou a mensagem clara de que a entidade vai fazer mais, vai fazer melhor e a comunidade só tem a ganhar se participar deste trabalho”, disse a Diretora Pedagógica, Renata Sândalo.